terça-feira, 24 de março de 2015

Empresas de elojob continuam na ativa mesmo após sequências de bans!




Passado um ano da primeira "ban wave" que suspendeu cyber-atletas de League of Legends pela prática de elojob, as "empresas" que oferecem o serviço continuam na ativa, cada vez mais organizadas, com a participação de jogadores de alto nível da Solo queue.
Os profissionais, porém, estão mais longe e, na verdade, são até rejeitados pelas empresas. É uma visibilidade desnecessária para uma engrenagem que funciona tão bem sem eles.
Mas os tempos também mudaram. Em março de 2014, quando a Riot Games Brasil não pôde fechar os olhos paradenúncias de elojob envolvendo cyber-atletas que surgiam em todos os cantos do fórum e das redes sociais, o cenário competitivo não era tão lucrativo como é hoje. Por isso, muitos jogadores viam no elojob uma importante fonte de renda.
Os bans, anunciados no dia 24 de março, após um mês de investigação, atingiram muitos jogadores que estavam em evidência na época, por conta das surpreendentes exibições do Seven Wars, que, aliás, nasceu em uma empresa de elojob. André "esA" Pavezzi, Bruno "Brucer" Pereira e Luccas "Zantins" Zanqueta faziam parte do pacote de 13 suspensos divulgados pela Riot. A partir de agora, todos estão liberados para voltar ao cenário competitivo e, assim, disputar competições oficiais.
Entretanto, o elojob ainda é um desafio para a Riot Games, pois, mesmo com a constante vigilância, as empresas agem livremente, sem nenhum pudor. Na internet, a mais conhecida delas, a Elo-Rocket, tem um site organizado e com todas as informações sobre os serviços oferecidos. É pelo próprio portal que o "cliente" encomenda o serviço, com preços que variam de R$ 35 a R$ 1.962, dependendo da quantidade de ligas a serem upadas. Há ainda uma seção de venda de contas, o que também é ilegal pelas regras do jogo.

O dono da empresa, identificado como Sheldon e que se chama Vinicius, atendeu prontamente à solicitação de entrevista doMyCNB. Mas tem um pedido: que o nome da empresa dele seja citado na matéria. É uma forma de publicidade. "Depois posso usar como referência aos meus clientes. Passa segurança", explica, ressaltando que deu entrevistas para os sites UOL Jogos e IG.
Ele conta que começou a fazer elojob em maio de 2013, ao lado de esA e outros amigos, e largou até o emprego para se dedicar ao "trabalho". A empresa cresceu rapidamente e, na segunda leva de contratações, passou de seis para 12 funcionários. Atualmente, são 59.
A demanda é alta, e o número de pedidos não teve decréscimo após o escândalo de bans. Em 2014, de acordo com Sheldon, a empresa movimentou R$ 376.164 com 3.612 elojobs realizados ao longo do ano. O que mudou de lá para cá é que os cuidados se intensificaram e os jogadores profissionais, com envolvimento no cenário competitivo, passaram a não fazer mais parte do plano. "Nós amadurecemos bastante com aquilo, tomamos a posição de empresa. Desde então pedi para focarem no competitivo ou escolherem por continuar com elojob. Não tem meio termo", conta Sheldon.
Isso porque os jogadores profissionais são mais visados, tanto pela Riot quanto pela comunidade, que, de acordo com o próprietário, está em constante vigilância sobre os cyber-atletas. E a suspensão de um "elojobber" significa o ban das contas de clientes. "Eu priorizo o sigilo e a privacidade do cliente. Se um cara toma ban, a Riot filtra todas as outras contas com a mesma configuração de acesso".
Segundo Sheldon, há jogadores do competitivo cadastrados na empresa, mas que só são liberados para trabalhar no fim do ano, quando a demanda cresce muito por conta das recompensas oferecidas no encerramento da temporada. Ele, porém, prefere não revelar nomes.
As precauções para evitar que funcionários e clientes sejam banidos estão nos mínimos detalhes. Uma diferença na tecla usada para o "flash" pode despertar desconfiança, segundo Sheldon. A empresa dele tem planos de, no próximo mês, possibilitar que o cliente escolha um funcionário que seja de sua região ou cidade próxima para que o IP não seja um "problema". "Hoje tenho uma visão mais madura. Eu vejo isso como uma fonte de renda, um empreendimento", afirma Sheldon, de 22 anos.
Jogadores pagam até R$ 1.962 para terem as contas upadas com elojob (Foto: Vitor Silva/Arte)
Ele tem consciência de que sua fonte de renda é proibida dentro de League of Legends. É tirar vantagem e conseguir dinheiro de maneira ilegal. Mas não se importa com isso. "Se eu parar com o elojob vai mudar em alguma coisa? Ou outra empresa secundária vai pegar meu lugar? Em geral eu sou um cara bem ético, nunca roubei ou enganei. Só não vejo praticar elojob como falta de ética".
Sheldon ainda completa: "Quem trabalha com isso vai continuar e acha muito bom poder ganhar dinheiro jogando um joguinho". É um pensamento bastante semelhante ao do cyber-atleta Diogo "Shini" Rogê, suspenso do cenário competitivopor elojob na semana passada.
Ele, que era visto como promessa para o League of Legends brasileiro, surpreendeu a todos pela prática e pela atitude indiferente com que tratou o assunto. Em entrevista ao MyCNB, disse que o ban "não mudou nada" porque já iria se aposentar e depois, em uma publicação no Facebook, afirmou que iria continuar fazendo elojob, inclusive desafiando a Riot Games. "Óbvio que eu acho errado, mas vou fazer pelo lucro e por achar que não é tão prejudicial assim ao servidor". Shini reabriu a polêmica sobre elojob, poucos dias antes de a ban wave dos jogadores profissionais completar um ano.
O MyCNB entrou em contato com a Riot Games, na manhã de segunda-feira (23), para pedir um posicionamento da empresa sobre os casos de elojob e as ações de combate à prática. Entretanto, por conta da agenda apertada do porta-voz, de acordo com a assessoria de imprensa, não recebemos retorno até a publicação desta matéria. Se houver contato da empresa, a matéria será atualizada com as respostas.


Fonte: MyCNB

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