domingo, 7 de junho de 2015

[Opinião] Satanás, é você?


  Sem mi-mi-mi: nós vivemos em um país cristão. A laicidade do estado pode até ser garantida, mas a do povo não pode ser controlada por duas linhas numa constituição. A fé é algo misterioso, típico daqueles sentimentos que você não consegue aprender na teoria, que você tem que vivenciar para realmente sentir o que tal acontecimento causa na sua vida, e isso é bom até certo ponto. Por exemplo, quando as morais religiosas tentam ser usadas como "argumento" em uma discussão, já deixa de ser algo positivo pelo simples fato de que, as vezes, a sua religião não bate com a do seu coleguinha; os conceitos que você tira da sua crença só são válidos para quem acredita neles, portanto não são uma verdade absoluta assim como 2+2=4.
  Enfim, o que eu quero debater com vocês nesse domingo é kinda controversial. Peço que leiam todo o artigo com calma antes de descer a lenha nos comentários, até porque em momento algum eu serei desrespeitoso com a sua religião ou seja lá o que você acredita. O respeito mútuo é universal, independente do que seja (a menos que você mate seus pais, aí já é algo a ser discutido).
  A pauta de hoje: Annie. Muito mais do que uma criança, essa campeã poderia ser usada pelos datenas de hoje em dia como critério para estabelecer League of Legends como um jogo que incentiva o satanismo pelo fato da menina ter uma tiara com dois chifrinhos e domínio sobre o fogo, também conhecido como pirocinese; porque, claro, tudo que faz sucesso tem que ter sido abençoado com sangue pelo diabo e ter obrigatoriamente uma representação dele no seu contexto ou ser obra dos Iluminatti. Será que não passa pela cabeça de quem usa esse argumento que isso é apenas um jogo em que é preciso ter personagens distintos para que a história se construa? Que não seria muito mais fácil (e prático) ter uma fala dentro do jogo tipo "Satã é meu líder" se fosse realmente um caso de incentivo á essas práticas?
  Repetindo o que foi dito no começo do artigo, algumas vezes o seu conceito religioso não é válido para outras pessoas. Quem garante que o designer da Annie não considera a figura do diabo algo interessante de ser explorado por ser algo que na visão dele é mitólogico, assim como o Alistar foi baseado no minotauro? Hoje, todos nós sabemos que o minotauro não existe por ser algo muito fantasioso e fora da lógica humana, ou seja, criar um campeão com a cabeça de boi e o corpo de homem não é um incentivo a idolatria da criatura. Ela é mitológica, mas perceba: isso não a torna imune a inspirações sobre sua figura! Assim como a Annie parece ser absurda agora, como o país reagiria ao Alistar se a religião greco-romana tivesse dominado a fé da população? Já parou para pensar nisso?
  É estranho ver que toda essa discussão está focada no que seria o lado ruim do jogo e que apenas essa campeã seria um incentivo a alguma coisa quando temos, por exemplo, a Kayle. É nítido que ela foi desenvolvida sobre o conceito do anjo cristão, ou seja, aquele que empunha uma espada de fogo e combate seus adversários com a purificação. "Noooooossa jaum, então a Kayle é um incentivo as práticas cristãs?". Não, meu filho! Ela é apenas uma personagem dentre mais de 130 que tiveram suas características inspiradas em algo que já existe na cultura mundial. Se fosse assim, o Maokai seria um incentivo a natureza, a Leona seria um incentivo ao sol e a Lissandra seria um incentivo ao gelo. Parece ridículo? Pois é...
  Sinceramente, eu acho tudo isso muito engraçado; ver como um simples "boneco" pode causar tanta polêmica. Eu, particularmente, não tenho uma religião definida. Acredito basicamente na energia que rege sobre cada ser-humano, que o "mau" é algo necessário, só que eu tenho que ter consciência de que isso, para outras pessoas, não é algo verdadeiro e devo respeitar essa opinião adversa porque:
  1. Existem outras crenças;
  2. Eu não tenho como provar que o que eu acredito é real;
  3. A outra pessoa não teve as mesmas experiências que eu.
  Só que esses pilares tão básicos são considerados hereges por uma parte da comunidade cristã. Para essa parcela, tudo que ela acredita é fato consumado, o que teoricamente impediria o resto do mundo de não crer nas mesmas entidades que ela pois este estaria sendo condenado ao fogo maligno para o resto da sua vida, ou morte, sei lá. E se eu te dissesse que, na minha concepção, o inferno não é real, tanto quanto o diabo? Isso vai me impedir de tratar esses itens como "mitológicos" e criar algo em cima do conceito deles que não necessariamente incentiva a crença como, no caso, o satanismo? Se você acha que sim, um breve recado, amiguinho: o mundo não gira em torno da sua religião. O que é sagrado para você pode ser sucata para outros. Lide com isso.

  E aí, polêmico, né? Diga aqui nos comentários se você concordo com o que eu escrevi sobre esse assunto. Claro, ainda tem muito mais a ser discutido, mas é melhor deixar para a próxima e não prolongar ainda mais esse artigo que já está enorme, cá entre nós. Até semana que vem (((:

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Jaum

Sobre o autor:


Redator da Pwn3ed, nascido no interior de São Paulo. E não, eu não falo poRteira.

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