quinta-feira, 30 de julho de 2015

[Opinião] Reescrevendo Bilgewater


  Os eventos anuais de League sempre superam as minhas expectativas. Não imagino qual seja o critério usado pela Riot para escolher qual vai ser a nação premiada do momento, mas eles nunca me decepcionam quando a apresentam. Confesso que sou um jogador viciado em lores; para mim, estudar a história do personagem é tão interessante quanto matar os inimigos com ele. É quase como uma leitura tradicional: você senta, abre as páginas e, quando menos espera, já mergulhou naquele universo. Eu vejo esses eventos como uma forma de, além de testar novos modos de jogo, reconstruir Runeterra. Me senti bem desapontado quando não se dedicaram a isso com Shurima, no ano passado... Digo, a nação se tornou mais consistente e coerente, mas e os seus personagens? Onde foram parar as lores de Azir, Renekton, Nasus?...
  Bola da vez: Bilgewater. Nem mesmo os desenvolvedores do jogo sabiam o que acontecia no arquipélago. O único conhecimento que tínhamos era de que seria uma nação portuária, cercada de comerciantes e piratas sanguinários. Fora isso, as ilhas eram tão estruturadas quanto a política brasileira. Talvez o fato de Bilgewater ser tão confusa e vaga fosse a razão de eu não sentir interesse nenhum na sua história. Veja bem: eu amo Freljord. A nação gélida é bem escrita, interessante e gostosa de ser estudada, e o que a permitiu ser assim foi o evento de 2013 (você pode conferir o hotsite aqui), que foi uma ótima oportunidade para reescrever toda a sua fundação. Esse ano, este feito está se repetindo comigo.
  Primeiramente, achei genial a ideia de ter que escolher "um lado" para apoiar nas Águas de Sentina - isso fez com que eu mergulhasse ainda mais fundo na proposta da Riot. Os atos, então, nem se fala: super esclarecedores, instigantes e suaves de se ler. A impressão que eu tive era de que todas as pontas soltas de Bilgewater haviam sido remendadas de forma profissional, sem deixar vestígios ou buracos. Tornar um personagem estritamente ligado ao outro foi uma maneira incrível de esclarecer as lores de Gangplank, Miss Fortune, Twisted Fate e Graves que, assim como a nação portuária, estavam perdidos no espaço-tempo de Runeterra. Cada um desses campeões teve uma característica base agregada para si neste evento; todas extremamente adequadas as suas respectivas personalidades e histórias. Em relação a isso, não tenho do que reclamar. Quanto aos mapas...
  A Ponte da Carnificina ficou visualmente agradável. Existe muita informação, sim, mas elas não estão dispersas, tampouco misturadas. As interações do mapa, em especial, os portões do mar se abrindo para um barco passar e o tiro de canhão ao First Blood foram jogadas de mestre - divertido, além de terem sido muito bem feitos. Não houveram alterações na maneira de jogar (isso talvez tenha me desapontado um pouco), mas acredito que o propósito não fosse esse; o foco do trabalho era transportar o jogador a Bilgewater, e isso foi feito com maestria. 
  Já o novo modo de jogo não me interessou tanto. As minhas 4 primeiras partidas até que foram empolgantes, mas depois delas eu não via mais motivos para jogar que não fosse liberar o ícone de invocador. Talvez por não haver uma relação direta com o jogador, essa proposta não fez o meu estilo. Compare comigo: a base do URF, por exemplo, era igual em todas as partidas, mas você jogava o modo, não os minions, e todo mundo adorou! Sem contar que a cada campeão diferente, novas descobertas eram feitas e a vontade de jogar aumentava. Não existe um fator "surpresa" que torne o novo modo de jogo tão interessante. Conclusão: é bom, mas não chama a atenção por muito tempo.
  Para fechar a discussão, uma visão particular do evento em geral: ótimo. A oportunidade de erguer mais uma nação de Runeterra foi bem aproveitada, além de cativar a comunidade com a maneira que essa "operação" foi feita. Houve alguns deslizes, como a barra de progresso da conquista dos ícones desativar do nada? Sim, mas acredito que não tenha sido algo tão grave a ponto de estragar o evento, que teve muito mais a se exaltar do que rebaixar. Parabéns a Riot, e a todos os envolvidos, que trabalharam duro para nos entregar mais uma obra-prima do universo de League of Legends. Montanha, já pode desamarrar o Morello. Ele fez por merecer esse ano.

  Você concorda com o que eu disse? Tem algo a acrescentar? Escreva nos comentários o que está achando do evento de 2015 - e debata! Até semana que vem ;)

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Jaum

Sobre o autor:


Redator da Pwn3ed, nascido no interior de São Paulo. E não, eu não falo poRteira.

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