quinta-feira, 13 de agosto de 2015

[Opinião] Aviso: jogo não nocivo à vida social


  Jogos são melhores que psicólogos? Talvez. Obviamente, você não precisa ir a um consultório e conversar com uma pessoa que nunca viu na vida para abrir o client, mas, ao meu ver, apenas uma hora de jogatina pode sim, te tranquilizar e recarregar suas baterias. O problema é quando esta se torna viciada à sua fonte de eletricidade. É uma analogia bem tosca, admito, mas esse exemplo resume o que eu passei por um tempo considerável da minha vida, e que acho justo compartilhar com vocês; tentar, de alguma forma, estabelecer um elo de afinidade que dificilmente existe entre um redator e um leitor. Fique tranquilo, eu não vou despejar minhas histórias de adolescente frustrado neste artigo.

  Basicamente, existem dois tipos de pessoa: os extrovertidos, que estão sempre conversando, interagindo, gesticulando, se dando bem com todo tipo de personalidade, e os introspectivos: mais reservados, inseguros e demasiadamente empáticos; se preocupam tanto com a felicidade dos seus amigos (até "inimigos") que acabam se esquecendo de cultivar a própria, e nessa categoria, eu me incluo. Em um período da minha vida, fui considerado um ser-humano que agia de forma errada perante o modelo padrão de satisfação pessoal que a sociedade dita: dificilmente saía de casa, não era muito aberto em relação ao que eu estava sentindo e amava "em excesso". E se eu te dissesse que eu era feliz mesmo assim?

  Muitos jogadores buscam no LoL um refúgio para se esconder dos seus problemas. Passar o dia jogando são, para eles, a plena felicidade. A intenção de escrever um artigo como esse é justamente tentar, de alguma forma, afetar quem acredita ser uma pessoa que não se encaixa no modelo certo de agir. Amigo, isso não existe. A única pessoa que sabe o que te faz realmente feliz é você, mais ninguém, mas se tu crê que a única forma de obter prazer na sua vida é jogar League of Legends, está enganando a si mesmo. Antes de descobrir o jogo, você era uma pessoa infeliz? Se sim, você tem certeza que algo realmente mudou só por jogar LoL?

  O vício nos jogos em geral é muito mais do que uma dependência psicológica: é um problema que a sociedade se recusa a levar a sério, até mesmo a nossa comunidade. A carência de satisfação pessoal é, muitas vezes, um gatilho para uma série de deficiências gravíssimas, desde psicológicas até mesmo físicas. O início dessa dependência é diferente para cada afetado, mas no meu caso, especificamente, foi impôr a mim mesmo que a minha personalidade não batia com o suposto padrão. Uma das minhas formas de estar alegre, que era jogar com os meus amigos, se tornou algo necessário para eu me manter "para cima"; uma droga que me dava os únicos momentos de contentamento do dia. Assim como uma substância química, eu queria sempre mais. Parecia que o único ambiente em que eu podia ser o que quisesse era dentro do jogo. Até entender que o que os outros pensavam sobre a minha maneira de agir não alterava a minha vida em nada, eu lutei muito para me adaptar ao meio.

  Sua personalidade é totalmente o contrário do que eu disse? Pois bem, eu também te entendo. Realmente, é difícil se colocar no lugar de uma pessoa que passa horas jogando e não sente necessidade de sair de casa, ir para mil baladas e se embebedar para ser feliz, até você perceber que é uma delas, e que não deixa de ser feliz por isso. Esse tipo de comportamento é tão válido quanto o de alguém que não consegue ficar mais do que duas horas em frente a um monitor; a única diferença é o modo como a sociedade enxerga essas duas personalidades. Quando você diz que alguém está errado em ser da maneira que é, principalmente se tu for um parente ou amigo dessa pessoa, inicia-se um processo de auto-destruição profundo, que leva o indivíduo a acreditar que ele, realmente, é defeituoso; que o leva a crer que a própria felicidade é algo nocivo. Se ponha na situação: sua auto-estima já é frágil e as pessoas que você ama e confia estão te dizendo que seu modo de agir não é válido e lhe faz mal. Aos poucos, esse conceito se estabiliza na sua cabeça e você passa a viver da maneira que dizem ser a correta, mesmo que isso não lhe agrade. Olhando por fora, você aparenta ter encontrado seu lugar no mundo. Por dentro, finalmente se coloca no estado em que o forçaram a acreditar: perdido.

  Nessas últimas linhas, um apelo direto à quem foi ensinado que existe um padrão a ser seguido: faça um esforço para entender que não é errado se sentir contente ao passar a madrugada assistindo séries. Não é errado vibrar de emoção quando você, finalmente, consegue comprar aquele computador que vai melhorar seu FPS. Não é errado, e nunca será, fazer o que te torna feliz, porque quando se está satisfeito consigo mesmo, suas fontes de prazer não viram uma dependência. E veja bem: nós estamos falando especificamente do vício em jogos; imagine o quão grave é a situação de quem realmente se encontra mergulhado em drogas como o crack. Mude sua forma de pensar para que as vítimas desse preconceito não se sintam forçadas a mudar por si mesmas e percam a essência que lhes tornam humanas.

  Curtiu o texto? Concorda com o que foi dito? Eu dei a minha opinião, mas você ainda não! Escreva aqui nos comentários o que você pensa sobre esse tema que é tão pouco discutido para a sua gravidade e consequências, mas merece a nossa atenção. Até o próximo artigo o/

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Jaum

Sobre o autor:


Redator da Pwn3ed, nascido no interior de São Paulo. E não, eu não falo poRteira.

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