domingo, 8 de novembro de 2015

Fanfic: Legado - parte 2




Olá invocadores!

Hoje é domingo, e domingo é dia de Legado! 

Você ai, invocador desprevenido, perdeu a primeira parte? Não sabe do que estamos falando? Não se preocupe, a história está só começando. Acesse aqui para ler a primeira parte e depois já
embarque na continuação!

Boa leitura a todos! 
 


Escrito por:. Glauco “Voronwe” Vasconcellos




ARCO I


Capítulo I
Sangue & Destino

Será que realmente deveria segui-lo?
Será essa criatura Azir?
E mesmo que ele seja o antigo imperador de Shurima,
O que ele poderia fazer?
Afinal, aquele império está morto
E enterrado sobre as areias desse deserto há milênios.
E sangue ancestral? Eu?
Uma mercenária sem pais conhecidos.
Não é possível.
Porém, se algum fundo de verdade tiver toda essa história,
Quem sou eu e, o mais importante, o que ele quer?

SIVIR
-
 Parte II


Enquanto acompanhava o Imperador, Sivir estava completamente mergulhada em seus pensamentos. Milhares de perguntas eram feitas muito mais rápidas do que seu cérebro podia processar. Naquele momento, a única coisa que a fazia, momentaneamente, voltar à realidade era o tortuoso caminho pelo qual os dois seguiam.
          O túnel era extenso e perigoso. Hora irregulares e escorregadios degraus pareciam ascender sem fim, hora afundar, infinitamente, solo adentro.
          - Onde estamos indo? – Inquiriu Sivir após escorregar ao pisar em uma pedra solta.
          - Ao nosso Legado, minha criança. – Respondeu soberbo, sem encará-la.
          “Nosso Legado” repetiu impaciente em seus pensamentos.
Naquele ponto, a jovem não fazia a menor ideia de onde estava. Tudo era tão escuro e denso que a tocha mal iluminava a distância de dois passos a sua frente.
A caminhada perdurou por mais alguns minutos após os dois passarem por uma estreita bifurcação. Quando finalmente parou, Azir ergueu uma de suas mãos para trás e pediu:
          - Passe-me a tocha.
          Sem hesitar, a mercenária obedeceu.
          Com o instrumento em mãos, o Imperador começou a sussurrar uma antiga e esquecida linguagem que há muito tempo fora varrida da face de Valoran.
          Instantes depois, a chama que ardia no culmino da tocha foi transferida para a palma de sua mão e, ao terminar sua magia, Azir a lançou no ar. Sivir observava cada movimento completamente encantada.
A flamula ascendeu vagarosamente e, já muito a cima de suas cabeças, quando começou a cair, a mesma se dividiu em milhares de pequenas fagulhas que se espalharam por todas as direções. Em seu destino final, as pequenas centelhas descansaram sobre enormes braseiros que, ocultos na escuridão, acenderam instantaneamente.
          Para a surpresa de Sivir, o que se revelou daquele oculto cenário, escondido nas sombras, foi uma gigantesca tumba repleta de reluzentes e incontáveis tesouros.
          - Nossa! – Exclamou em um suspiro enquanto o brilho daquelas peças douradas refletia em seus olhos oliva.
          Ambos estavam no alto de uma comprida e larga escadaria, rica em detalhes e requinte, que conduzia aos níveis inferiores daquele labirinto de ouro.
          - Não se engane minha criança, tais pertences materiais não se assemelham se comparados ao Legado.
          - Espere um pouco. – pediu Sivir tentando se concentrar na situação e não nos tesouros, por mais que seu coração mercenário teimasse a fazer o contrário – O que é isso tudo? O que representa isso tudo? E o que diabos é esse Legado?
          Azir se virou para a jovem e começou:
          - O Legado é o que é de direito pertencente a nós.
          - Nós? O que quer dizer com “pertencente a nós”? – Perguntou concisa.
          - És minha herdeira, filha do sol. És a última de meu sangue ainda viva sobre a terra conhecida. Shurima e o poder do deserto são nosso Legado.
          - Como?! – exclamou em choque – Não, não é possível... – disse ao dar dois passos para trás - Sou uma mercenária. E..e... é isso. Nobreza não faz parte da minha conduta. Eu até luto por uma guerra, cobro meu preço em sangue ou outro, mas não morro por ela.
          - Foste, sim, criada para ser uma mercenária, porém não significa que esse seja teu destino. – Afirmou com altivez.
          O único sentimento que Sivir conseguia transmitir em sua face era a descrença nas palavras de Azir, enquanto ele continuava:
          - É claro como as águas da vida, minha criança. Olhe para ti. Seu coração sempre buscou por grandeza e riqueza, e esse é o motivo: O chamado do poder que clama por espaço em seu íntimo. Sempre estiveste envolvida em grandes feitos, porém faltava-te o clamor de lutar pelo que realmente importa e, aqui e agora, é isso que se revela diante de seus olhos. – Terminou ao apontar para aquela cintilante tumba.
          Sivir estava sendo arremessada em uma realidade que jamais poderia prever, nem mesmo em seus mais profundos sonhos.
          - Ainda que isso seja verdade...
          - É verdade. – Assegurou Azir, interrompendo a jovem.
          - Ainda que seja – retomou impaciente – o que lhe garante que eu quero isso? O que lhe dá tanta certeza que quero ser parte de algo grandioso?
          - Podes até tentar enganar a mim, mas jamais poderá mentir para si mesma, filha do deserto. – Afirmou moldando pela primeira vez um leve sorriso em sua face. Logo em seguida, sem dizer mais nada, Azir deu as costas a jovem e começou a descer as escadas.
          Sivir não sabia ao certo o que tudo aquilo significava, ou ainda veria há, mas em um deliberado ato de desperto e negação, questionou ao acompanhar o Imperador:
          - Por que eu? Por que não continua você mesmo o que começou?
          - Tal mundo existente nos dias de hoje, não mais a mim pertence. Ainda que, graças a ti, possa eu falar, respirar e caminhar sobre a terra novamente, não se engane em saber que estou morto e enterrado com minha antiga Shurima. Porém, é destino que uma nova deva renascer dos alicerces de poder, hoje destruídos, da antiga. Uma nova Shurima precisa de um novo governador, uma nova rainha, uma nova imperatriz.
          - Mas... – começou apática, porém antes que tivesse tempo de desenvolver alguma pejorativa problemática, Azir pediu:
          - Por favor, apenas me acompanhe minha criança.
          Sivir aceitou o pedido, pois, ainda que uma parte de seu interior quisesse negar aquela realidade, outra queria entender até que ponto as palavras de Azir poderiam ser verdadeiras.
          Os dois caminharam em silêncio em meio a um labirinto de ouro e pedras preciosas. Incontáveis moedas e objetos maciços, tais como pratos, cálices, estátuas de animais e armas se espalhavam por cada centímetro quadrado daquele ambiente. As quantidades de tesouros reunidos naquele salão eram suficientes para levar em crise qualquer economia estável.
          - Chegamos. – Disse Azir ao apontar para redondo e simples platô, elevado em oito curtos degraus.  Em seu centro flutuava, assegurado por uma aura mágica, um grande e imponente cetro que, dourado, lembrava em sua extremidade superior a ponta de uma lança dividida em dois as aspectos e, mais a baixo, uma larga base em forma de um semicírculo com duas lâminas laterais pressas em seu centro por uma brilhante jóia azulada, fazia a transição ao seu cilíndrico corpo também dourado.
          Ao redor daquele altar, que se localizava no centro da tumba, nada existia. Era como se coisa alguma tivesse permissão de estar ao lado de uma peça com tamanha reverência e importância.
          - Vamos, sinta o poder do Legado. – afirmou ao encarar Sivir nos olhos, que retribuiu em espanto – Não tenhas medo. – garantiu - O Legado não pode causar mal algum a um filho do deserto.
          A jovem engoliu seco e caminhou vagarosamente em direção ao artefato.
Suando frio, subiu as escadas e estendeu sua mão pouco a pouco até que, finalmente, as pontas de seus dedos tocaram o cetro. Uma grande onda de choque se espalhou pelo seu corpo e, segundos depois, Sivir desmaiou.
...
...
...
          - Podes ver?
          - Sim! – exclamou ofegante – Eu vejo!


← Postagem mais recente Postagem mais antiga → Página inicial